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nossa, gente.
wow.
se chorei ou se sorri o que importa são as emoções que eu vivi.
chegamos aos créditos de 2011.
vai que é tua, acabou.
que ano.
voou.
é, meu amigo.
voou.
muitas oportunidades perdidas, decisões erradas e condutas inadequadas.
mas passou.
agora é hora de correr atrás do prejuízo.
vamo lá, 2012.
vem com tudo.
mas vem mesmo.
São Paulo, 1/12/11
cristina,
hoje faz um mês que você me deixou.
simplesmente saiu pra comprar cigarro e não voltou.
tonto eu de não reparar que cada vez menos via tuas coisas em casa.
tonto eu de não reparar que cada vez menos te via.
meu deus, onde eu errei?
parece tonto, eu sei, cristina, mas eu juro não saber.
fui bom marido, te comprei flores e te escutei.
não dormi por muito, hoje sou outro.
percebi: você não me merece, mulher.
te amei como nunca amei ninguém, me entreguei.
eu sorri pra você todas as manhãs que acordamos juntos.
te trouxe café na cama e te chamei de trouxa.
e tudo que ganhei em troca foi uma xícara de desprezo.
distante você sempre foi.
característica única, peça rara você.
me encantou com cada defeito.
me enfeitiçou.
então eu percebi: sua distância nunca foi intencional.
eu nunca te tive, cristina.
sempre fui segunda opção.
fui seu plano de backup.
seus 27 gatos pra envelhecer junto.
a ti só tenho a agradecer.
você me fez mais forte.
e não guardo receio, por deus.
te amei.
mas agradeço.
thanks, but no thanks.
espero te encontrar em algumas décadas, cristina. queria conversar.
foi tudo.
é só.
saudações,
Carlos Alberto.”
“era menino daqueles normais, jovem, despreocupado e consternado. confuso.
queria descobrir o mundo que via através daquela janela com vista repetida.
e era inseguro, muito inseguro.
mas decidido, ah ele era.
menino de palavra, de posição.
justo.
fechado, sem muitos amigos.
poucos e bons.
seu problema era ser desacreditado.
desacretiva no amor e na felicidade.
tudo hipotético, dizia com a firmeza que sabia impor.
‘é coisa de filme, de livro, de bom romance. não existe pra valer.’
mas na madrugada, enquanto encarava o céu sem estrelas se perguntava se acharia alguém.
não alguém pra amar, alguém pra viver, pra gostar. e era tudo.
pouco bastava.
menino simples, feijão com arroz e ilusão.
lia os romances de Capote alucinado e dez minutos depois viajava em ficções com suas fricções inconstantes.
seus pais se perguntavam: o que há de errado com ele?
e ele em vão tentava explicar que nada.
ele simplesmente era assim, conformado.
esperava uma daquelas lições de vida que sempre apareciam em crônicas modernistas e continhos progressistas.
esperava incontente, inconstante e duvidoso.
era josé.”
vontade de escrever.
ás vezes tenho muito pra falar e fico quieto.
ás vezes não tenho nada pra falar e falo muito.
na verdade é sempre assim.
então me recolho aos pensamentos e devaneios.
tchau.
tirei o feriado pra pensar.
na verdade é só uma grande desculpa pra falta do que fazer.
mas pensei.
e entre divagações e constatacões encontrei uma xícara de café.
muita música e algumas madrugadas.
conclusão: não cheguei a lugar algum.
mas eu ainda preciso pensar sobre isso.
sempre que chega o final do ano é costume meu (e de milhares outros, atente) fazer um balanço de como foi o ano pra mim.
é como a retrospectiva do video show, só que aqui eu sou famoso.
chega novembro e começo a pensar.
aliás, confesso: esse ano, mais que o vestibular, mais que tudo, o fim do ano me assusta.
pode parecer estupidez, mas é o fim de uma era.
quando adentrei o ensino médio, lá em 2009, em uma das primeiras aulas de literatura (que a princípio me fascinaram, mas acabaram no limbo do tédio) um dos meus professores prediletos me ensinou que era é o conjunto do contexto histórico, político e cultural. e em 2011 tudo isso se enterra.
dezessete anos atrás adentrei em uma zona de conforto chamada escola. sempre soube que em fevereiro tudo começaria de novo.
sempre tive controle da situação.
sempre soube que naquele mês curtinho tudo voltaria ao normal e eu veria meus amiguinhos. estudaria até julho, e depois de um recesso, voltaria ao normal.
acabou, rapaz. esse ano põe um gigante ponto final em minha vida.
vai começar outra f(r)ase.
não, eu não sei pra onde eu vou ano que vem. não, não vou mais ver os amigos todo dia. não, não tenho mais tudo sob controle.
2012 é uma grande incerteza.
e isso assusta!
novembro é cedo pra escrever. muito ainda pode acontecer. e eu prefiro pensar que há muito tempo pra isso.
quando eu descubro uma banda e passo a gostar, gosto timidamente por dois dias, até descobrir de verdade. aí gosto pra valer e só ouço isso po semanas.
e isso marca o momento.
ouvir minha biblioteca musical é viajar pela minha vida.
é passar por pessoas, situações, momentos e épocas. arrependimentos e satisfações, vergonhas.
é lembrar.
é pura nostalgia.