June 2012
8 posts
“Eu e Gabriela entramos em guerra silenciosa.
Não nos falamos, não explicamos e ninguém quer ceder.
Abro mão: orgulho pra que?
Explico, replico e suplico.
Recebo um OK em troca.
Nada é mais decepcionante que um OK, Gabriela-Cravo-e-Canela.
Ele só mostra desimportância. Coisa corriqueira, do dia-a-dia - desinteresse.
Diga OK ao seu porteiro quando ele interfonar dizendo que a correspondência chegou.
Já não é de hoje que você me decepciona. Em progressão geométrica.
Vou ter que aprender a te apagar dos meus dias, por bem ou por mal - é o melhor.
Tarefa fácil? Longe disso.
Você conseguiu o que ninguém mais fez. Em dobro.
E ninguém tem esse direito.
Te apago da história hoje, Gabriela. Prometa ficar bem.
Beijo, Matheus.”
“Gin tônica, música tão alta, mas tão alta que silencia seus pensamentos. Frio. Multidão e cigarro.
Angela não ouvia outra coisa, além da decepção iminente.
Mais um dia, mais uma vida: desperdício.
Em uma mão o celular, número do psicólogo discado. Na outra compulsão.
Em um desequilíbrio perfeitamente incalculado. Cenas de horror que assustariam até Samara.
Tiros em Columbine seria espelho?
O ambiente seria perigoso, por sorte a ausência de armas de fogo garantia a tranquilidade do público.
Mas não sua tranquilidade, constantemente abalada.
Um gole, uma decepção.
Até que ponto era pretendido, tudo aquilo? Olhava fixamente para a decoração caindo, as paredes sujas e as rachaduras do teto.
Concentração - não há nada pra se concentrar.
Vamos embora, não há nada mais aqui.
Angela liga pro taxi e dita o destino: Hospital Psiquiátrico D. Maria.
E que estejam munidos de camisa de força.”
“E quando passei na esquina da vergonha, olhei na cara da Loucura e cuspi, você estava lá pra me segurar.
Desmaiei.
Com a Loucura não se brinca, dissera.
E desde então sempre esteve lá. Aqui, ali e onde mais fosse preciso.
Fortaleza medieval. Impenetrável, inquebrável.
Exceto quando pecava. Sete bilhões de almas e a escolha questionável. Abominável.
Sempre me pareceu cabresto, afinal: seis bilhões novecentos e noventa e novo mil não é pouco. Olhe em volta, há um mundo.
Não misture.”
“Não quero ser Geisel, mas hei de ditar o que não queres ouvir. Não escrevo na segunda pessoa, nem uso mesóclise, mas puxo lhe a orelha.
Prestenção, não abre mão, disse a rima estapafúrdia.
Diz-que-quer-mostra-que-não-quer. Guaraná e coca são coisas diferentes, volatim. Sai do teu trapézio e decidi logo.
Vaga de bar em bar, alma vazia? Desconfia-se, mas confia-se.
Entre um gim e outro pede Coca. Vai ao banheiro e pronto, Guaraná.
Saiu pela viela e no imperativo cantou.
De um tiro pela culatra conseguiu o impossível.
Pena que decepciona.”
May 2012
2 posts
March 2012
1 post
Em 2012 reduzi drasticamente o tempo que passo online. Mudei o estilo de vida e re-administrei meu tempo, e ao fazer isso percebi que sou o pior tipo de usuário: o raso.
A quantidade de informação que transita entre a tela e nossos olhos a cada minutos é surpreendedora - é cada vez mais difícil ser uma pessoa atualizada e bem informada.
Cada vez mais aparecem teóricos e teorias dizendo que a internet emburrece. Discordo, ela pode emburrecer, mas não faz por regra. Consumimos muito conhecimento, mas superficialmente demais. Não dedicamos grande tempo pra um assunto só. Se antes a única fonte de notícias era o jornal, hoje ela está democratizada e disponível a todo canto. Lemos sobre macacos africanos e Freud ao mesmo tempo, mas depois de dez minutos, já não conseguimos enunciar o que lemos sobre ambos.
Hoje é cobrado de nós que sejamos pessoas críticas, informadas e atualizadas, e muitas vezes ao tentarmos corresponder a essas expectativas (internas e externas), acabamos, na tentativa de consumir o máximo possível de informação no mínimo de tempo, errando e simplesmente folhando. Tornamo-nos rasos.
Lemos dois jornais, acompanhamos avidamente a timeline do Twitter, em busca de conteúdo e informação, lemos revistas, acessamos blogs, lemos editoriais e opiniões, e ainda compartilhamos no Facebook, tudo em 30 minutos. Resultado: “Eu lembro de ter lido algo sobre isso em algum lugar.. mas não sei bem do que se trata.” Acontece comigo o tempo todo.
Precisamos conhecer o novo meme, ver o viral da semana, saber da discussão do dia, como vagos especialistas em tudo. E aí alguém te pergunta: viu isso? e todo seu reino de informação cai abaixo - como pode deixar passar?
Me descobri o usuário que sempre temi ser, o raso e não proveitoso.
É verdade, leio bastante e busco consumir bastante informação, mas quanto isso me é útil, em tamanha quantidade? Impossível assimilar tudo.
Hoje tenho preferido textos mais densos e em menor quantidade, cápsulas de 140 caracteres de cultura inútil, pequenas notícias sobre o dia-dia e artigos mais elaborados sobre atualidades.
Acho que me encontrei, mas o filtro de conteúdo nunca pode parar.
January 2012
10 posts
“If I’m your Wolverine, than your supposed to be Jean Grey - sorry honey, phenixes don’t die.”
“às vezes viajo no tempo com você. vamos a lugares espetaculares, a memória volta, sinto teu cheiro.
1984, não esqueço jamais.”
“o dia era 23 de janeiro. o começo de um novo tempo, de um novo contexto. um outro começo.
o céu se desligava do preto de uma madrugada difícil e trocava por um azul sereno, claro.
bons fluídos estavam por vir. suor. de tentativas incasáveis de suceder num futuro talvez não tão próximo.
havia esperança, alguma, lá no fundo do pote dos biscoitos que outrora comera sem culpa.
e a manhã trazia calma. e uma voz interior gritava: tudo vai dar certo. tudo tem que dar certo. “
“admito, a solução é fácil. está aqui bem na minha frente.
o problema é você que não enxerga o problema.
há meses. anos.
e nada faço. nada sinto.
você não faz meu mundo balançar. você não me deixa com frio na barriga.
eu queria que isso ficasse claro, Vitória.
e seu nome? deveras ironia.
há. entre uma tragada de cigarro e um gole de café eu penso como teria sido.
e não foi.
não foi porque não foi e não era pra ser.
e sejamos francos, determinismo é pros fracassados. e isso diz muito.
mas não me venha cheia de seu positivismo, Vitória. Comte teve um colapso nervoso enquanto trabalhava em sua teoria, seu casamento falhou e ele morreu sozinho. escolha melhor seus ídolos.
eu estou tão perdido quanto você.
meu chão. essa era a sua significância por mais que nunca tenha percebido.
meus olhos e ouvidos.
tentei a minha língua, a sua língua e o grego arcaico. comunicar é tão difícil?
10 anos e parece que nem te conheço.
eu só desejo seu melhor.
longe de mim.
com amor, Michel.”